Espanha tem alto índice de Violência de Gênero
Jornalista Maria José Béchade
Quando estamos no Brasil acreditamos que nos países ditos de “primeiro mundo” não vamos encontrar problemas sociais que presenciamos em nosso dia-a-dia, a exemplo da violência de gênero, o que é um engano. A Espanha vai chegar ao 8 de Março, dia dedicado às mulheres, com uma estatística vergonhosa e que, ao que parece, as autoridades não encontram respostas para a problemática.
Nesses dois meses de 2008, o País já soma 17 mulheres mortas por seus companheiros, em sua maioria imigrantes. Somente nesta semana, quatro foram assassinadas por ex-companheiros sentimentais, em grande parte no espaço doméstico. Em 2007, segundo levantamento realizado por instituições feministas da Espanha, 84 mulheres foram vítimas de seus companheiros sentimentais (destas, três brasileiras). Dados da Red Feminina afirmam que 84 mil mulheres vivem sob proteção na Espanha.
O aumento da violência doméstica está tão alarmante que centenas de pessoas foram às ruas, ontem, na região de Valência, para protestar e pedir punição para o assassino da mais recente vítima, uma mulher de 46 anos. Segundo matérias publicadas na imprensa local, na Espanha existe um total de 50 mil homens condenados por delitos referentes à violência de gênero, sendo que uma média de 4 mil estão encarcerados e 46 mil se encontram em liberdade, o que significa 8% de casos onde se fez justiça.
Por outro lado, os estupros e outros tipos de agressões, também, são alarmantes. Só para se ter uma idéia, a Guarda Civil tem um programa informático que guarda os perfis genéticos dos agressores, sejam anônimos ou não, até que os casos sejam resolvidos pela Justiça. Uma média de 45 mil DNAs estão estocados em frigoríficos, com temperaturas de 80° abaixo de zero, em laboratórios da instituição. Em 2008, já são 10 mil DNAs congelados à espera de solução.
Os debates em programas jornalísticos, com políticos e especialistas são diários neste momento. Há uma cobrança no sentido de que haja mais campanhas de prevenção à violência doméstica e que os Governos repensem suas políticas públicas para a questão.
Categoria: internacional
Escrito por Maria José Béchade às 07h26
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Espanha deve explicações
Jornalista Maria José Béchade
Espanha deve explicações
Muita boa a iniciativa do deputado federal Luiz Couto (PT), pedindo explicações ao Governo Espanhol sobre a proibição de entrada de brasileiros, mesmo em situação regular de turismo, e aos maus tratos recebidos por brasileiros, africanos e latino-americanos de uma maneira geral. É uma grande verdade o que vem acontecendo. Há alguns meses recebi um telefonema de uma amiga brasileira que mora na Alemanha, desesperada porque sua sobrinha, uma jovem de 18 anos, havia sido detida no aeroporto de Madri e ela não estava conseguindo manter contato com a mesma. Pediu para que eu tentasse falar com as autoridades espanholas e conseguisse uma informação, o que fiz. A informação recebida era de que a brasileira estava detida, que já havia telefonado para a família avisando e que não teria direito a falar com mais ninguém. Afora isso, a polícia do aeroporto não informaria o motivo da detenção, somente a Justiça. Da forma como fui atendida ao telefone me deu até medo da menina está sendo acusada de algum delito, tipo tráfico de droga, rede de prostituição, etc. Diante disso, passei os contatos do deputado Luiz Couto, do Consulado, da Embaixada, tudo que pude fazer para tentar ajudar à tia desesperada.
Segundo a minha amiga (que não identifico porque é uma pessoa pública e não quero lhe expor sem autorização prévia), a jovem havia feito um contato com a mãe, no Brasil, muito nervosa, chorando e dizendo que a polícia tinha pressionado, gritando e forçando-a a falar o que viria fazer na Espanha; sem falar no amontoado de gente em uma pequena sala sem infra-estrutura. A jovem, que estava apenas fazendo uma escala, pois partiria para Portugal e Alemanha, não teve mesmo argumentos diante da pressão psicológica sofrida, apenas chorava. Resultado: dia seguinte foi deportada para o Brasil, sem explicações.
O aperto ao cerco se deve ao fenômeno da imigração vivida pela Espanha há algumas décadas, que, agora, com o período de eleições presidenciais, o debate aumenta ainda mais no seio da sociedade. No debate realizado, segunda-feira (25/02/2008), entre os candidatos à presidência do Governo da Espanha, o candidato de direita, Mariano Rajoy (PP - Partido Popular), bateu duro contra o atual presidente, Zapatero (PSOE – Partido Socialista Obreiro Espanhol), culpando-o de atrair mais imigrantes para o País e culpando os imigrantes de congestionar os serviços de Saúde, de tomar os postos de trabalho dos espanhóis e serem o culpado por problemas na Educação, além de chamar os imigrantes de “bando de delinqüentes”.
O candidato do PP promete fechar ainda mais o ingresso de estrangeiros em solo espanhol, através de leis mais duras e claras perseguições preconceituosas, a exemplo de assinar papéis se comprometendo a não cometer delitos previstos já em leis do País. Já o presidente Zapatero, que no início de seu mandato, encontrou uma média de um milhão de pessoas em situação não regularizada de visto, deportou 200 mil pessoas que entraram irregularmente e estabeleceu regras para conceder a permissão de residência para a grande maioria. Zapatero rebateu Rajoy defendendo os trabalhadores que vêm à Espanha à procura de emprego, falou de uma Espanha solidária e cooperativa e que tem investido mais de 200 milhões de euros em programas destinados à integração dos imigrantes.
A falácia por parte da direita é desmentida pela realidade de que os imigrantes estão cobrindo postos de trabalhos, que em geral, os espanhóis não querem realizar, que são: trabalhar como garçons, arrumadeiras, passadeiras, acompanhante de pessoas idosas, entre outros serviços humanitários, como ONGs e mesmo servir ao exército em missões de paz em outros países.
A realidade é que há algumas décadas a Espanha estava com a população envelhecida e não havia mão-de-obra suficiente no mercado de trabalho, principalmente, para postos na área da construção civil e setores de serviços. Há denúncias até de uma grande empresa espanhola, a Eurowork Global España S.A., que trouxe cerca de 5 mil trabalhadores latino-americanos, em péssimas condições de trabalho, com indícios de trabalho escravo. Esse fato foi denunciado pelo setor de investigação da ONG COMPARTE, através do seu jornal “La Vergüenza” (veja link http://www.laverguenza.org), e “abafado” pela grande mídia.
Nessa problemática toda, com fatos reais, jogos políticos, preconceitos, racismo, exageros e acima de tudo a falta de compreensão por parte de uma parcela da população, as pessoas que desejam conhecer a Espanha ou participar de algum evento pontual, estão passando por constrangimentos e até por perdas financeiras devido à atitudes extremas tomadas por parte da alfândega espanhola.
Daqui, passo uma dica para os turistas que pretendem vir à Espanha: Saia do Brasil com reservas de hotel, matrícula em cursos de idiomas ou eventos, não esqueça nem mesmo o contracheque para provar que tem trabalho no Brasil e de um cartão de crédito internacional. Para quem tem amigos ou parentes no País, o melhor mesmo é solicitar um convite oficial por parte desta pessoa (que é regularizado junto à Polícia), com dois meses de antecedência, o que custa em torno de 100 euros para quem está convidando. Essa é a forma determinada por lei, para que o turista tenha uma referência no País, seja controlado e tenha um responsável por ele, o que é um absurdo, mas, é assim que está se passando!
Enquanto isso, vamos esperar a interferência da Comissão de Direitos Humanos, através do deputado Luiz Couto, para que as relações e os acordos internacionais entre o Brasil e a Espanha sejam respeitados!
Escrito por Maria José Béchade às 10h17
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